Úlcera Venosa / Módulo de Ensino / Tratamento

Imprimir

Tratamento

 

Diminuição ou eliminação do edema

A) Elevação da perna na posição sentada

1. Oriente o paciente a manter um apoio para os pés.

a) Pode-se utilizar outra cadeira.

b) Pode-se fazer um apoio virando uma lata de lixo de cabeça para baixo.

c) Pode ser feito com uma caixa de papelão ou de madeira; encha-a com qualquer material disponível e coloque uma almofada dobre ela.

2. Se possível, as pernas devem ser posicionadas acima do coração.

3. De forma ideal, as pernas devem permanecer elevadas for 30 minutos de cada vez. O paciente deve tentar fazê-lo pelo menos 3 vezes por dia.

4. Os pacientes não devem dormir com as pernas penduradas pois o edema não é aliviado nessa posição pendente. Se for necessário elevá-las durante a noite, será melhor fazê-lo através da elevação (em uma altura adequada para uma posição confortável) dos pés da cama utilizando tijolos ao invés de usar travesseiros. É difícil tentar manter a perna de uma pessoa em posição elevada sobre um travesseiro durante toda a noite e isso poderá manter o paciente acordado.

 

B) Terapia de compressão

1. Proporciona resistência ao tecido que evita a secreção de fluidos para o seu interior; eleva a pressão de tecidos moles para acima da pressão capilar.

2. Comprime parcialmente as veias superficiais, reduzindo seu tamanho e aumentando o fluxo sangüíneo através do vaso. Auxilia na prevenção do processo proposto pela teoria do “trapping” das células brancas do sangue.

 

C) Meias elásticas

1. Meias elásticas podem ser encontradas com diferentes pressões e tipos. É importante determinar a necessidade de meias e conseqüentemente a pressão a ser indicada

a) 10 – 15 mmHg –Meia anti-embolia. Pode ser adquirida sem receita médica.

b) 20 – 30 mmHg – Utilizada para insuficiência venosa inicial e varizes leves. Pode ser adquirida sem receita médica.

c) 30 – 40 mmHG – A partir desta pressão, o paciente necessita de uma prescrição para adquirir a meia por causa do potencial de oclusão arterial no caso de a doença arterial existir. Meia de pressão mais freqüentemente prescrita para a doença venosa marcante e pessoas com úlceras venosas cicatrizadas. Para pessoas com úlceras venosas pequenas, ela pode ser usada como parte do protocolo de tratamento de feridas com um curativo protegendo a úlcera.

d) 40 – 50 mmHg – Às vezes utilizada por pessoas com problemas de úlcera venosa crônica. Essas meias são extremamente apertadas e apresenta dificuldade de uso para a maioria das pessoas.

e) A pressão da meia é cumulativa. Por exemplo, uma pessoa pode usar dois pares de meias de 15 – 20 mmHg para obter 30 – 40 mmHg.

f) A prescrição de meias feita pelo profissional de saúde deve mencionar seu comprimento e a pressão.

g) Quanto mais alta a pressão, mais difícil será a colocação da meia.

h) Considere a capacidade da pessoa para a utilização da meia. Ela tem força suficiente nas mãos para puxar e colocar a meia? Por exemplo, pacientes com artrite ou derrame podem ter dificuldade na colocação. O peso da pessoa permite que ela enxergue e alcance os pés para colocar a meia. A pessoa tem alguém em sua casa que poderá auxiliá-lana colocação e remoção da meia?

2. Determine o estilo da meia

a) Comprimento – joelho alto, na altura da coxa ou meia calça. Para a doença venosa, meias na altura do joelho são recomendadas.

b) Dedos dos pés dentro ou fora da meia. Geralmente, as meias sem ponta, que mantém os dedos para fora, são colocadas com maior facilidade. Alguns pacientes não gostam da banda na ponta da meia e preferem meias sem pontas.

c) Zíper – Presente ou ausente. Alguns acham que o zíper ajuda na colocação. A pessoa deve ser capaz de juntar as pontas da meia para fechar o zíper.

d) Cor – Meias são encontradas nas cores branca, bege, preta e azul. Os fornecedores variam as cores que oferecem.

e) Meias na altura da coxa e meias calças são mais difíceis de colocar e também são quentes. Podem ser consideradas femininas demais para serem usadas por homens. Meias na altura da coxa freqüentemente exigem uma cinta-liga para mantê-las no lugar.

3. Tamanho

a) As meias devem servir na perna. A perna deve ser medida de manhã, preferivelmente antes das 10 horas, quando encontra-se no seu menor tamanho. O comprimento a ser medido vai da parte de trás do calcanhar até o joelho. A largura é a circunferência da barriga da perna.

b) As medidas devem ser revistas se houver mudança no peso do paciente que atinja 4,5 quilos ou se ele reclamar que as meias estão muito largas.

c) As meias têm uma vida útil de 4 a 6 meses, dependendo de como a pessoa cuida delas.

4. Orientação ao paciente sobre como colocar as meias

a) As meias são mais facilmente colocadas de manhã, logo que a pessoa acorda e antes que as pernas inchem. Os pacientes devem manter suas meias ao lado da cama para colocá-las ao amanhecer.

b) As meias são acompanhadas por instruções. Reveja-as com o paciente. Peça ao paciente para colocar as meias enquanto você observa. A parte mais apertada da meia é a região do pé/tornozelo; assim que a meia for colocada sobre o calcanhar, o restante da colocação torna-se fácil.

c) Se a pessoa tiver dificuldade com a colocação, a utilização de luvas de borracha, aplicação de talco no pé ou a utilização de uma meia de nylon até a altura do joelho podem auxiliar na colocação da meia de pressão.

d) As empresas fornecedoras não substituem as meias que são rasgadas pelos pacientes. A utilização de luvas de borracha ajuda a evitar que as unhas dos dedos das mãos ou jóias rasguem as meias.

e) Essas peças de auxílio podem ser adquiridas para ajudar na colocação da meia. Não existem instrumentos que auxiliem na sua remoção. Ela deve ser removida à noite antes de dormir.

f) As meias podem ser lavadas em água fria ou morna. Substâncias alvejantes não devem ser utilizadas. Podem ser penduradas em varal para secar. Se colocadas em máquina de lavar ou secadora, deve-se ter cuidado para não utilizar temperaturas muito altas que podem destruir o elástico.

g) As meias nunca devem ser deixadas onde possam ser queimadas por cigarros ou por um fogão, nem em lugares em que possam ser mastigadas por animais de estimação.

 

D) Bota de Unna

1. Gaze impregnada com uma mistura de gelatina/óxido de zinco.

2. Oferece suporte para o bombeamento muscular da região da panturrilha durante o caminhar e promove o retorno venoso.

3. Camada de gaze coberta com uma faixa elástica ou bandagem auto-aderente.

 

Aplicação da Bota de Unna

A) Avalie a perna para a utilização adequada da Bota de Unna

1. Certifique-se de que os pulsos sejam adequados. Se houver equipamento disponível para um Indice Tornozelo Braço (ITB), utilize-o para determinar o fluxo sangüíneo arterial.

B) Contra-indicações para o uso da Bota de Unna

1. Insuficiência arterial.

2. Falha cardíaca descompensada. O edema diminuído resultante do curativo de compressão é devolvido à circulação; assim, coração deve ser capaz de lidar com ele. O curativo de compressão também elimina a terceira área de espaço da perna, onde o fluido é armazenado se o coração não estiver funcionando. Pacientes com falha cardíaca devem ser orientados para observarem o estresse respiratório. Nesse caso, precisam consultar seu médico ou procurar um atendimento de emergência.

3. Sinais e sintomas agudos de trombose das veias profundas.

4. Alergia aos componentes da Bota de Unna.

C) Aplicação

1. Lave e seque a extremidade inferior.

2. Avalie a ferida. Decida se um curativo deverá ser colocado sobre a ferida ou se somente a Bota de Unna deverá ser utilizada. Às vezes, um hidrocolóide, espuma, ou um curativo de alginato ajudam a diminuir a dor do paciente.

3. Aplique loção hidratante ou vaselina à pele ressecada da perna.

4. Peça ao paciente para manter o pé em um ângulo de 90 graus em relação à perna. Ele não deve manter o pé em posição de bailarina. O ângulo de 90 graus fará com que o curativo seja mais confortável durante o caminhar.

 

 

5. Comece a enrolar a Bota de Unna logo acima dos dedos na região metatársica e continue até que chegar a 3 cm abaixo do joelho. Envolva com 75% de sobreposição em cada fileira. O curativo pode ser dobrado ou cortado para evitar rugas. Alise a cobertura conforme você avança.

6. Não estique ou puxe a Bota de Unna. Ela se tornará rígida durante o processo de secagem. Se houver muita tensão na aplicação, ela ficará rígida demais após a secagem e o paciente sentirá desconforto. Quando os curativos estão muito apertados, os pacientes tendem a removê-los e podem não retornar ao atendimento.

7. Se houver sobras da atadura da Bota de Unna quando esta chegar ao joelho, a atadura poderá ser cortada e reaplicada do tornozelo para cima.

8. Aplique um material para absorver a secreção ou exsudato sobre a Bota de Unna e uma atadura elástica para fazer a compressão.

9. A Bota de Unna é trocada semanalmente, porém trocas mais ou menos frequentes podem ser feitas, dependendo da quantidade de secreção. Para pacientes com grande volume de secreção, pode ser necessário trocá-la 2 vezes por semana.

10. O paciente precisa ser orientado em relação aos cuidados com a Bota de Unna.

a) Oriente o paciente para elevar a perna quando estiver sentado. Ele deve ser estimulado a caminhar. Deve ser desencorajado a permanecer de pé em um único lugar ou sentado durante longos períodos com as pernas dependuradas.

b) A Bota de Unna deve ser mantida seca. Para tomar banho, a perna deve ser embrulhada em plástico para que não haja contato com a água. O plástico que envolve o pé ficará escorregadio; a pessoa deverá tomar cuidado para não escorregar e cair no banheiro.

c) Se a pessoa precisar remover a Bota em casa, ela deverá ser desenrolada. Se a perna for colocada na água (no banho de chuveiro ou bacia), A Bota amolecerá e a sua remoção será facilitada.

d) Não é recomendado cortar a Bota de Unna para remoção em casa. Se tesouras caseiras ou uma faca for utilizada e a pessoa se cortar, existe o risco de iniciar uma outra úlcera e de infecção.

e) Oriente o paciente para observar os sinais/sintomas de insuficiência arterial: dedos pálidos ou azulados; inchaço severo acima do curativo; dor ou falta de sensibilidade nos dedos dos pés.

f) Instrua o paciente para observar os sinais/sintomas de infecção: dor crescente, vermelhidão se espalhando pelas pernas acima ou aos dedos dos pés, sensação de calor nas pernas ou aumento de temperatura ao toque, aumento de odor, etc.

 

A educação do paciente deve incluir:

 

A) Fisiopatologia da condição incluindo cronicidade.

B) Protocolo de tratamento

1. Tipo curativo

2. Como cuidar do curativo

3. Freqüência de substituição do curativo

 

 

C) Cuidado da saúde da pessoa durante o tratamento das feridas

1. Seguir protocolos de tratamento para o controle de outros problemas de saúde

2. Manter o peso do corpo dentro de limites normais

D) Proteger as pernas

1. Evitar bater ou lesar as pernas.

2. Manter os curativos limpos.

3. Comparecer ás consultas para tratamento das feridas.

4. Elevar as pernas quando estiver sentado.

5. Evitar permanecer em pé por períodos prolongados.

6. Uso adequado de meias elásticas.

E) Apoio emocional

1. Escute as preocupações do paciente e dê aconselhamento.

F) Tratamento cirúrgico

1. A porcentagem de úlceras que cicatrizam com o tratamento clínico varia. A literatura documenta que 49% a 85% de casos de úlceras são curadas através de métodos não-cirúrgicos.

2. É possível realizar enxertos de pele utilizando a pele da própria pessoa ou material equivalente à pele humana (como o Apligraf ou Dermagraft). O material equivalente à pele humana consiste de fibroblastos neonatais produzidos em cultura en vivo em uma massa bioabsorvível de tecido dérmico metabolicamente ativo.